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Antônio Carlos Benvindo

Foi dada a largada para as Eleições 2010, cada partido se mobiliza para apresentar seus respectivos candidatos, principalmente os presidenciáveis.

Nesta eleição, a internet novamente vai ter um papel fundamental, as mensagens já se propagam na rede geralmente com o intuito de fazer campanha negativa dos concorrentes. Cabe aos receptores distinguirem se as informações são verossímeis.

A grande rede, que por sinal tem modificado a maneira de fazer política, no mês de maio foi aprovado pelo congresso o projeto de Lei Ficha Limpa, que proíbe a candidatura de políticos com algum crime, cabe ressaltar que o projeto foi aprovado graças a uma pressão popular incessante, que recolheu via internet mais de 4 milhões de assinatura.

A classe política está com a imagem deteriorada junto à sociedade civil, isso devido aos inúmeros casos de corrupção e vexames constantes, mas é um “mal necessário”. É de suma importância à população, ter consciência que a política faz parte de nossas vidas e, consequentemente, o voto é a “arma” que temos. Como disse o rapper Aliado G: “Não acompanhar política é o mesmo que parar relógio para economizar hora”. A política está ao nosso lado e temos que ficar alerta aos acontecimentos.

O problema cultural de uma política corrupta deve ser revertido com atitudes, tais como: pesquisar sobre os candidatos antes de votar, verificar se o mesmo não tem problemas com a justiça. A memória curta do brasileiro e uma boa publicidade dos candidatos podem cegar nossos valores e fazer esquecer qualquer problema que tenha ocorrido antes de sua candidatura. Atenção e consciência poderão evitar: Arruda’s, Sarney’s e Maluf’s de se elegerem novamente.

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Quando Cristovão Colombo descobriu o Haiti, em 1492, talvez não imaginasse no terremoto social que provocaria a partir daquela data na ilha que um dia comparou com os Jardins do Éden. A ilha foi colonizada por espanhóis, depois os franceses tomaram-na da Espanha, mas o país nunca conseguiu em sua longa história consolidar os idéias iluministas da Revolução Francesa, nem tampouco como um Estado de fato, com ênfase nos três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário.

A população Haitiana indígena foi dizimada no processo de colonização, escravos desembarcaram no país com sua mão de obra barata e consigo as cerimônias tribais africanas, e se tornou a maioria dos habitantes da ilha. Os solos haitianos que, um dia produziram mais cana de açúcar que o Brasil se tornaram inférteis e os processos políticos e econômicos conturbados, principalmente no período que a Família Duvalier (Pai e Filho), deixaram um atraso de cerca de 100 anos, segundo especialistas, transformaram o país num dos mais pobres do mundo.

Neste momento que o foco da mídia se volta para a ilha, às vezes com certo sensacionalismo, devido à catástrofe geológica uma série de questionamentos vem em nossa mente: Porque a população mundial nunca contribui com o progresso do Haiti ou nunca houveram guerras pelas terras haitianas, como muito se luta pelas terras do Oriente Médio?

Ora no Haiti não há vestígios de petróleo, nem diamante, seus solos são inférteis (como já citado). O país sequer produz talentos esportivos e geograficamente está localizada entre a Venezuela, Cuba e EUA. Enfim, o terremoto geológico que levou brasileiros de grande influência e importância incomparável foi uma tragédia terrível, mas o terremoto social ocorre há bem mais tempo, desde quando Colombo e os espanhóis chegaram para trazer o progresso e tirar dos índios a vida indolente, introduzindo nesta civilização “atrasada” as raízes européias de “mundo civilizado”.

A reconstrução do país pode durar mais 50 ou 500 anos, vai depender do engajamento das forças políticas mundiais como o caso dos países mais ricos que já deveriam ter tomado providências para ajudar, não só o Haiti, mas os países pobres espalhados pelo mundo a fora, principalmente no Hemisfério Norte, que foram os mais afetados com os problemas da colonização.

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Brasil, final da década de 80, início de 90, o momento histórico era turbulento: fim do Regime Militar, Diretas Já, morte de Tancredo Neves, Era Sarney, Era Collor, inflação galopante, impeachment, assassinato de PC Farias, enfim o país estava na berlinda.

Enquanto eu morava num barraco, pagando aluguel e brincando nas ruas de terra Nevense, um som, que não era automotivo, me chamava atenção na casa do vizinho. Advindo da periferia de São Paulo, mais especificamente do Capão Redondo, surgia um grupo contundente em suas palavras e representava a voz rouca da periferia. Misturando influências como Public Enemy e 2Pac, o grupo de rap Racionais MC’s, comandado por Mano Brown dava um tapa na face da sociedade enfatizando os problemas sociais do negro pobre da favela.

Não que o Rock dos anos 80 num desempenhasse este papel, mas sua grande parte ou talvez sua totalidade eram descendentes da classe média e revoltados com a situação do país, no qual suas letras tinham conotação metafórica, o que dificultava o entendimento do morador da periferia, em sua maioria semi analfabeto. As letras diretas do novo grupo refletia o pensamento de um pobre morador de favela, vítima de um sistema social falho e opressivo.

As primeiras letras foram com murros no rosto da sociedade, tão acostumada ao Regime Militar e aos versos de Chico Buarque e Caetano Veloso.


“Equilibrado num barranco incômodo, mal
acabado e sujo, porém, seu único lar,
seu bem e seu refúgio.Um cheiro horrível
de esgoto no quintal, por cima ou por
baixo, se chover será fatal. Um pedaço
do inferno, aqui é onde eu estou. Até o
IBGE passou aqui e nunca mais voltou.
Numerou os barracos, fez uma pá de
perguntas. Logo depois esqueceram...”

(Homem na estrada, Álbum Raio-X Brasil )


A Rádio Favela foi a grande percussora deste movimento ascendente, conseguiu seu ápice tocando em suas ondas sonoras as músicas dos Racionais MC’s. Após lançar o Álbum Raio-X Brasil, o grupo não poderia ser mais como um simples movimento, mas um movimento avassalador, de onde surgiram as camisas 100% Periferia, Negro Tipo A, entre outros.

Surgiram outros MC’s como MV Bill, Rappin Hood, Shawlin e até o rapper português Valete, seguia a linha dos “manos” de São Paulo. O Racionais adotava a linha aversão à mídia, em 1997 o grupo lançou o CD de maior sucesso do Rap Nacional “Sobrevivendo no Inferno”. A partir daí, desceram do morro e foram parar nos sons automotivos da classe média. Músicas como Capítulo 4, Versículo 3, To ouvindo alguém me chamar, Diário de um detento, foram parar na mídia convencional. Meio a contra-gosto, lhes deram prêmios, dinheiro e fama, o que nenhum fã como o que vos escreve queria. Por acreditar que tudo que transforma ou modifica a mídia convencional também é vítima dela, foram perseguidos pela Globo, Record, dentre outras.

Fiquei com medo.
“Nada como um dia após o outro”, álbum de 2001, surpreendeu até o mais cético dos fãs. Foi a consolidação do maior movimento afro-diásporico da atualidade. Quem ouve Negro Drama, Vida Loka, a quase oração Jesus Chorou, entre outros, sente a essência da exaltação do negro e pobre da periferia, e a quase semelhança da letra com nossas vidas.


“...ei bacana, quem te fez tão bom
assim, o que se deu, o que se faz, o que
se fez por mim, eu recebi seu tic, quer
dizer kit, de esgoto a céu aberto, e
parede madeirite, de vergonha eu não
morri, to firmão, eis me aqui, voce não,
se não passa, quando o mar vermelho
abrir...”

(Trecho da música Negro Drama – Álbum Nada como um dia após o outro)

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